terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lipoaspiração: a gordura vai, mas volta!


    Sem mudanças de hábito, essa operação pode implicar uma barriga mais inchada após um ano..

Robert Eckel, endocrinologista da universidade de Colorado em denver, nos estados unidos, observou o prazo de validade dessa cirurgia.

Ele acompanhou mulheres que passaram pelo procedimento e, depois de 365 dias, descobriu que aquele excesso gorduroso extraído já havia voltado na maioria dos casos. Mas com um detalhe: desta vez, boa parte da banha tinha ido parar no fundo do abdômen, onde causa mais estragos ao organismo.

“Acreditamos que a lipossucção danifica as células de armazenamento de gordura da região operada”, especula Eckel. E, sem poder retornar ao seu lar original, os ácidos graxos buscariam residência nas profundezas do umbigo.


                                                             Heider Costa
                                                   Consultor do Bem-Estar

Fibras para secar a barriga



Confira o teor dessa substância nos alimentos, imprima a tabela e monte seu cardápio:



    Grandes aliadas na perda de peso, as fibras aumentam a sensação de saciedade, fazendo com que a gente coma menos, melhoram o funcionamento do intestino e ainda ajudam a reduzir a gordura localizada na região do abdômen. Estudos recentes mostram que quanto maior for o consumo dessa substância, menos gordura vai se acumular entre os órgãos da região abdominal, dando fim à barriga de chope. E tem mais: ingerir 10 gramas de fibras por dia durante um ano pode desinchar os pneus em quase um centímetro. Com tantas vantagens, nada melhor do que incluí-las de vez no seu dia a dia. "O ideal é consumir entre 25 e 35 gramas diariamente", recomenda Patrícia Campos, nutricionista do Instituto Vita, na capital paulista. Dê uma olhada na tabela, imprima e monte seu cardápio.
  
* Teor de fibras para cada 100 gramas do alimento

 
Cereais e derivados

Arroz integral cozido - 2,7g
Arroz tipo 1 cozido - 1,6g
Aveia em flocos crua - 9,1g
Biscoito doce tipo maisena - 2,1g
Biscoito salgado tipo cream cracker -  2,5g
Cereal matinal de milho - 4,1g
Farinha de rosca - 4,8g
Farinha de trigo - 2,3g
Macarrão cru - 2,9g
Pão de forma (aveia) - 6g
Pão de forma (glúten) - 2,5g
Pão de forma (milho) - 4,3g
Pão de forma integral (trigo) - 6,9g
Pão francês - 2,3g

Verduras, hortaliças e derivados

Abobrinha italiana crua - 1,4g
Agrião cru - 2,1g
Alface americana crua - 1,7g
Alface crespa crua - 1,7g
Alface lisa crua - 2,4g
Alho cru - 4,3g
Almeirão refogado - 3,4g
Batata-doce cozida - 2,2g
Batata-inglesa cozida - 1,3g
Batata-inglesa frita - 8,1g
Berinjela cozida - 2,5g
Beterraba cozida - 1,9g
Brócolis cozido - 3,4g
Brócolis cru - 2,9g
Cará cozido - 2,6g
Cebola crua - 2,2g
Cebolinha crua - 3,6g
Cenoura cozida - 2,6g
Coentro (folhas desidratadas) - 37,3g
Cenoura crua - 3,2g
Couve-manteiga crua - 3,1g
Couve-manteiga refogada - 5,7g
Couve-flor crua - 2,4g
Couve-flor cozida - 2,1g
Espinafre cru - 2,1g
Espinafre refogado - 2,5g
Farinha de mandioca - 6,4g
Mandioquinha cozida - 1,8g
Pimentão amarelo cru - 1g
Pimentão verde cru - 2,6g
Pimentão vermelho cru - 1,6g
Palmito pupunha - 2,6g
Rabanete cru - 2,2g
Tomate com semente cru - 1,2g
Tremoço em conserva - 14,4g
Vagem crua - 2,4g

Frutas e derivados

Abacate - 6,3g
Abacaxi - 1g
Ameixa - 2,4g
Atemoia - 2,1g
Banana-da-terra - 1,5g
Banana-maçã - 2,6g
Banana-nanica - 1,9g
Banana-ouro - 2g
Banana-prata - 2g
Caqui chocolate - 6,5g
Ciriguela - 3,9g
Cupuaçu - 3,1g
Goiaba vermelha - 6,2g
Laranja lima - 1,8g
Laranja pera - 0,8g
Maçã argentina - 2g
Maçã fuji - 1,3g
Mamão formosa - 1,8g
Mamão papaia - 1g
Mexerica murcote - 3,1g
Mexerica Rio - 2,7g
Morango - 1,7g
Nêspera - 3g
Pera - 3g
Pinha crua - 3,4g
Pitanga - 3,2g
Tamarindo - 6,4g


  
                                Heider Costa
                        Consultor do Bem-Estar
  

O esquadrão anti-infarto (agora contra a obesidade e o diabete)

       Um programa alimentar consagrado no controle da hipertensão acaba de ser eleito a dieta mais completa do planeta




    Toda polícia tem uma tropa de elite ou uma unidade de forças especiais, convocada para as missões mais difíceis e delicadas. Os americanos contam com o poder de fogo e a perícia da Swat e, no Brasil, conflitos críticos são resolvidos pelo Bope. O mundo da nutrição também dispõe de um esquadrão de peso, com direito a uma sigla própria e a um arsenal que, em vez de armas, está cheio de grãos, frutas e companhia. Trata-se do Dash, programa alimentar criado nos Estados Unidos há 14 anos e encarregado de desarmar bombas nos vasos sanguíneos. Se traduzirmos livremente do inglês, esse nome significa dieta para combater a hipertensão. Mas, nos últimos tempos, seu poderio provou que não se resume a baixar a pressão arterial.

   Médicos e nutricionistas renomados foram convidados pela revista americana U.S. News a eleger a dieta mais saudável do mundo. A Dash desbancou outros 19 cardápios, entre eles a dieta do Mediterrâneo, e ficou com o primeiríssimo lugar. Essa escolha, é claro, pede uma pergunta: afinal, o que a Dash tem que os outros menus não têm? Antes de respondê-la, cabe voltar ao passado e vasculhar seus feitos no contra-ataque à hipertensão. “Esse programa, criado por quatro universidades americanas em parceria, é baseado em critérios científicos rigorosos e seus resultados, mensurados por pesquisas, superaram as expectativas, sendo similares à ação de remédios para a pressão”, resume a ópera o cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração de São Paulo e autor do livro A Dieta do Coração, publicado por SAÚDE. Quanto à arma secreta da Dash, Lopes aposta no predomínio de frutas: “Elas fornecem muitos antioxidantes, substâncias que atuam na camada interna dos vasos e os deixam mais relaxados e menos expostos a placas”. É uma estratégia perfeita para frustrar infartos e derrames.

   A nutricionista Camila Gracia, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, acredita no fator praticidade. “É um cardápio de fácil adesão, sem grandes restrições”, afirma. E também destaca o espaço reservado a leites e derivados magros. “Eles fornecem cálcio, mineral que ajuda a controlar a pressão e o peso”, diz.

Os especialistas ainda elencam entre os pontos fortes da Dash a alta oferta de grãos e hortaliças, redutos de fibras que são pouco calóricos. “Os vegetais garantem a esse plano alimentar uma grande quantidade de potássio, mineral que favorece o relaxamento dos vasos”, aponta a nutricionista Camila Torreglosa, do Hospital do Coração, em São Paulo. A Dash, para completar, reforça como nenhuma outra a ingestão de nozes, castanhas e amêndoas. “Além de minerais que combatem a hipertensão, elas têm gorduras do bem que melhoram a fluidez do sangue”, diz Camila. Mas outra característica da Dash, diametralmente oposta à sua rival mediterrânea, é moderar nos óleos. O esquadrão não tolera pratos muito gordurosos.

   As qualidades mencionadas nos permitem entender, de quebra, por que esse menu tem vocação para atuar contra o excesso de peso. Um estudo da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, que acompanhou durante dez anos quase 2 300 meninas adolescentes, mostra que aquelas que seguiam mais de perto o modelo Dash engordaram menos ao longo da década. Embora o resultado prestigie a dieta, Heno Lopes lembra que, para enxugar as medidas de forma satisfatória, esse programa tem de ser adaptado a um esquema de restrição calórica. “Pessoas acima do peso devem maneirar nas oleaginosas, que são grandes fontes de calorias”, exemplifica Camila Gracia. E, como a Dash já ensina, cortar carnes e queijos gordos.

   Nos últimos meses, surgiram evidências de que o esquadrão anti-infarto merece ser chamado para salvaguardar o corpo de quem tem diabete. Em outra enquete da U.S. News, experts em nutrição alçaram a Dash à condição de melhor cardápio para o controle do açúcar no sangue. “As principais recomendações para o diabético são fracionar a alimentação ao longo do dia e consumir fibras. Ambas são contempladas por esse programa”, avalia a nutricionista Camila Leonel de Abreu, da Universidade Federal de São Paulo. Como se sabe, as fibras encontradas nos vegetais reduzem a absorção de glicose no intestino e promovem saciedade — e tudo isso resulta em taxas de açúcar mais equilibradas.

   Se não bastasse quebrar o esquema de fatores de risco que culminam em ataques ao coração, ao cérebro e aos rins, a Dash ainda promete entrar na guerra contra o câncer. “Alguns trabalhos sugerem que essa dieta teria um papel na prevenção de tumores, especialmente o de intestino”, conta Heno Lopes. Mas ainda faltam estudos de longo prazo que legitimem esse potencial. O benefício, nesse caso, viria do conjunto de nutrientes já anunciados, sobretudo os antioxidantes, que servem de guarda-costas às células, evitando sua degradação — o primeiro passo para o surgimento de um tumor. Como você pode perceber, a Dash tem tudo para mostrar que missão dada é missão cumprida. E, enquanto ela aguarda novas condecorações, não seria nada mau convocá-la para a sua rotina.

         A história do pelotão Dash

   Ele nasceu em 1997 baseado em preceitos científicos. A primeira versão não propunha cortes no sal, que foram adotados em sua atualização. “É uma dieta com impacto significativo sobre a pressão e que pode reduzir a mortalidade por derrame em até 30%”, diz Emilton Lima Júnior, cardiologista da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Grãos e cereais integrais
 
Quanto consumir: 8 porções (cada uma equivale a 1/2 xícara de chá ou 1 fatia de pão) ao longo do dia
O que eles têm: fibras, vitaminas e minerais
Efeito cardiovascular: as fibras reduzem a absorção de colesterol, evitando o tráfego de gorduras pelo sangue. Vitaminas e minerais são antioxidantes e ajudam a evitar o processo que culmina no entupimento do vaso
No peso e no diabete:as fibras propiciam saciedade e facilitam o controle do açúcar na circulação

Frutas

Quanto consumir: de 4 a 5 porções ao dia (cada uma corresponde a 1 unidade média ou 1 copo de suco)
O que elas têm: fibras e antioxidantes
Efeito cardiovascular: a ação conjunta desses dois nutrientes reduz o risco de placas se formarem e crescerem dentro das artérias
No peso e no diabete: os componentes fibrosos diminuem a absorção de glicose e evitam seus picos no sangue. Só vale tomar cuidado com frutas açucaradas, como a uva

Verduras e hortaliças

Quanto consumir: de 4 a 5 porções ao dia (cada uma equivale a 1 xícara de chá do vegetal cru ou 1/2, se ele for cozido)
O que elas têm: fibras, vitaminas e minerais
Efeito cardiovascular: já falamos do papel das fibras, mas as hortaliças são cruciais mesmo por fornecerem potássio, mineral que relaxa os vasos sanguíneos
No peso e no diabete: as fibras auxiliam a domar o açúcar no sangue e a eliminar a barriga de modo mais eficiente. E os vegetais são pouco calóricos, facilitando a perda de peso

Leite e derivados magros

Quanto consumir: de 2 a 3 porções ao dia (cada uma corresponde a 1 copo de leite, 1 xícara de chá de iogurte ou 1 pedaço de 40 gramas de queijo)
O que eles têm: cálcio e proteína
Efeito cardiovascular: o destaque aqui vai para o cálcio, mineral que ajuda a impedir o disparo da pressão arterial
No peso e no diabete: estudos mostram que o cálcio interfere nas células de gordura, minimizando o acúmulo de peso, e contribui para o controle glicêmico

Carnes magras

Quanto consumir: 2 filés pequenos por dia
O que elas têm: proteína e, no caso dos pescados, que deveriam ser consumidos pelo menos duas vezes por semana, a gordura ômega-3
Efeito cardiovascular: proteínas são bem-vindas a todos os tecidos. O ômega-3 combate inflamações nas artérias
No peso e no diabete: há indícios de que o ômega-3 dos peixes favoreça a ação da insulina nas células. Quanto às carnes, dê preferência a cortes magros, como filé-mignon

Leguminosas

Quanto consumir:4 porções por semana (cada uma equivale a 1/2 xícara do alimento cozido)
O que elas têm: fibras e vitaminas como o ácido fólico — a soja ainda tem isoflavona, protetora do coração
Efeito cardiovascular: as fibras diminuem os níveis de colesterol e o ácido fólico é uma vitamina que reduz o risco de formação de placas
No peso e no diabete: mais uma vez, o benefício vem das fibras, que controlam o apetite e as taxas de açúcar

Oleaginosas

Quanto consumir: um punhado (40 gramas) quatro vezes por semana
O que elas têm: vitamina E, selênio e gorduras boas
Efeito cardiovascular: a vitamina E e o selênio resguardam as paredes dos vasos. As gorduras boas, como o ômega-3, atuam contra processos inflamatórios recorrentes
No peso e no diabete: são úteis para vencer a resistência à insulina por trás do diabete tipo 2. Mas não vale abusar, porque castanhas e afins são bem calóricas

Óleos

Quanto consumir: de 2 a 3 colheres de chá por dia — priorize os de soja e canola para cozimento e o azeite de oliva para regar os pratos já prontos
O que eles têm: gorduras mono e poli-insaturada
Efeito cardiovascular: a versão monoinsaturada do azeite regula o colesterol e a poli, representada pelo ômega-3, ajuda a barrar inflamações nas artérias
No peso e no diabete: a monoinsaturada parece atenuar a resistência à insulina. O ômega-3 batalha contra o peso

Um posicionamento sobre os doces


A Dash não desautoriza o seu consumo, mas pede muita parcimônia: a orientação é não exceder 1 colher de sopa por dia cinco vezes por semana. A justificativa é a de que os doces carregam açúcar e gordura saturada além da conta, itens que prejudicam os vasos, impulsionam o ganho de peso e ainda desregulam os níveis de glicose no sangue.

                                           Heider Costa
                                   Consultor do Bem-Estar

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cuidado com o jejum antes dos exercícios físicos


   Não é muito difícil alguém dizer que acorda e vai para academia sem tomar café da manhã, ou que depois de um dia de trabalho vai praticar exercícios sem comer nada. Isso geralmente acontece por falta de tempo, por não ter se programado ou com a intenção de queimar mais calorias e emagrecer mais rápido.


   Mais sabia que para ter um bom desempenho na prática de exercícios, e em conseqüência queimar gordura corporal é essencial ter se alimentado de forma adequada antes de praticar exercícios? Ficar um longo período sem se alimentar pode resultar em vários sintomas desagradáveis, como: raciocínio confuso, cansaço, dores de cabeça, tontura, etc.

São sintomas relacionados ao processo de hipoglicemia, isto é, a queda da glicose na corrente sanguínea.

   Durante o exercício há um aumento do gasto energético e ocorre uma alteração no metabolismo. Se você estiver sem comer há muito tempo ocorre a queda da glicemia, então o organismo começa a usar a proteína como fonte de energia, e dessa forma você perde massa magra (massa muscular). O seu rendimento também cai muito, você se sente cansado, não tendo o mesmo desempenho que teria se estivesse se alimentado corretamente.

   Quem pratica exercícios de manhã e não realiza o café da manhã ficará facilmente mais de dez horas em jejum. Isso pode favorecer o aparecimento de infecções, já que o organismo está debilitado devido à falta de nutrientes.

    O ideal é consumir pelo menos uma fonte de carboidrato (pão, fruta, barra de cereais, aveia, torrada) uma a duas horas antes dos exercícios. Caso a refeição anterior seja o café da manhã, almoço ou jantar, é importante fazer uma refeição balanceada, com mais grupos alimentares. 


                                              Heider Costa
                                     Consultor do Bem-Estar

sábado, 27 de agosto de 2011

Efeito Sanfona

Efeito Sanfona
Dr.Drauzio Varela
21/11/2004
 

   O mundo tem um bilhão de pessoas acima do peso. Milhões delas estão, neste momento, começando uma dieta. Milhares vão conseguir emagrecer. Mas só algumas vão permanecer magras por mais de um ano.
   
  Se você vive nesta aflição diante dos ponteiros da balança, atenção: esta é a história da Edeli, mas bem que poderia ser a sua.

"Meu nome é Edeli, eu tenho 50 anos, tenho dois filhos. Eu queria ser aquelas magras que, quando estão com problemas, travam. Mas não, eu sou daquelas gordas que comem quando estão com problemas", brinca Edeli.

     Para saber ao certo o quanto uma pessoa está gorda e quando a gordura passa a ser realmente um problema, existe o índice de massa corporal (IMC). O IMC é calculado dividindo-se o peso da pessoa pela sua altura ao quadrado, isto é altura x altura. 

"Tenho 1,59m de altura, estou pesando atualmente 82 quilos", diz Edeli. 

   Um resultado entre 18,5 e 24,9 é considerado normal. De 25 a 29 a pessoa tem sobrepeso, está acima do peso saudável. De 30 a 39 já pode ser considerada obesa. Acima de 40 tem obesidade grave, obesidade grau 3. O IMC da Edeli é 32,44. Ela está obesa.


  "Hoje eu acordei muito triste, pela luta que é esse negócio que é a obesidade na minha vida. Eu não tenho um dia de descanso. Se ontem eu comi, hoje eu pago por isso. É uma luta diária de todos os meus irmãos para manter peso. Temos facilidade para engordar", conta ela.


  Desde criança ela sofre com o excesso de peso. "Existia uma brincadeira entre as irmãs. Nós éramos três irmãs: eu, a Eliete e a Eloá. E a brincadeira era assim: cobra, jacaré e elefante. Adivinha quem era o elefante? Alguma dúvida?".

   É na infância que as células de gordura são formadas. A célula de gordura é uma esfera oleosa e brilhante, tão pequena que são necessárias milhões delas para abrigar as calorias de uma única bala.

Se a criança come muito - e come mal - estas células incham. Elas chegam a ficar seis vezes maiores do que o tamanho original. Quando estão cheias, elas se dividem, duplicando os depósitos gordurosos. Um adulto obeso pode ter até cem bilhões de células de gordura. 

  As células, cada vez em maior número e maiores também no tamanho, acompanham a pessoa pelo resto da vida. Por isso é tão difícil emagrecer. A pessoa nunca perde as células de gordura que acumulou ao engordar. Elas permanecem no corpo à espreita e, na primeira oportunidade - quer dizer - na primeira vez que você atacar aqueles bolinhos de arroz - vão novamente inchar e se multiplicar.

   Guarde bem esta informação. Nós vamos precisar dela daqui a pouco. Agora, vamos voltar à Edeli.
  "No meio da dieta, o que te dá mais vontade de comer?", pergunta Drauzio.

"Um prato de macarrão com molho quatro queijos. Nossa Senhora, umas polpetas em cima. É a dieta dos meus sonhos. Com um filé a parmegiana", responde Edeli.


Entre o desejo de ser magra e a realidade da balança, existe a comida. Edeli trabalha no restaurante do irmão e vive cercada de tentações.

"A Edeli com comida é assim. Ela decide que vai fazer dieta, aí faz no almoço e fica beliscando a tarde inteira", conta o irmão dela.

"Qual seu maior problema na vida? É esse?", pergunta Drauzio.


"É. Hoje é. É a aceitação do meu corpo", responde Edeli.


  Na busca desenfreada por um corpo magro, Edeli investe em todos os tipos de dieta. "Eu fiz a do Dr. Atkins, eu fiz a de Beverly Hills, eu fiz a de South Beach. Acho que eu já fiz umas 15, 20 dietas. Eu vivo em dieta. Essa semana, eu comecei a fazer a dieta da sopa", conta ela. Isto é vida de "cachorro".


Primeiro dia "Ontem eu me pesei, comecei a dieta com 84,9 quilos. Então assim eu almocei só sopa de legumes, só legumes, não tem um caldinho gostosinho, nada". 

Segundo dia "Fui me pesar. São 11h da manhã. E assim, deu um quilo de diferença. Tô com 83,9 quilos. Dois dias de muito sacrifício". 

Quarto dia "Não me sinto confortável. E domingo é um dia super difícil, tá mais difícil ainda hoje. Tá muito frio e eu acho que eu tô querendo comida mesmo".

Sexto dia "Comi muito pouco, muito pouco. E, no meio da tarde, eu estava com muita fome, furei a dieta e comi três damascos secos".

Último dia "Tô com uns dois quilos a menos, ou três porque as calças estão largas".

Essas dietas restritivas, com um número insignificante de calorias, funcionam no dia-a-dia ou não?
"Elas funcionam. 

  A curto prazo, qualquer dieta funciona. Por exemplo, você pode, eu até brinco, emagrecer com brigadeiro. Mas você só pode comer seis brigadeiros por dia. Isso faz emagrecer a curto prazo. Mas a longo prazo a experiência mostra que não funciona. Porque o sujeito vai acabar recuperando o peso quase que invariavelmente", explica o endocrinologista Alfredo Halpern.

   Quem faz regime - qualquer um - sempre emagrece. O problema começa aí. Como manter o peso? Sim, porque ninguém consegue, e nem agüenta, passar a vida tomando só sopa, ou comendo só atum e meia uva. Com muita fome, a pessoa acaba mesmo assaltando a geladeira.


"Eu tava morrendo de fome, aí pedi um prato de espagueti ao sugo com manjericão. Aí, mais tarde eu cheguei em casa, tinha pizza. E aí ela olhou pra mim, eu olhei pra ela, ela olhou pra mim e a gente se entendeu e comi um pedaço de pizza, além de tudo também, né?"


Tem uma constante nessas dietas todas. É que você faz durante um tempo e um dia pára e não consegue manter. "Isso aconteceu com todas elas", revela Edeli.

E aí, a balança é implacável. Aquele ataque à pizza gelada de madrugada é punido com um aumento imediato de peso. 


"Ontem eu me pesei e estava com um quilo a mais", revela Edeli. Pronto: todo o sacrifício foi inútil.

"É o músculo, é a gordura, é o metabolismo, é todo o sistema orgânico que vai querer fazer você engordar de novo", avisa Alfredo Halpern.


Lembra da célula de gordura? Quando você faz dieta e diminui o número de calorias nas refeições, as células de gordura não morrem, só encolhem. Elas "murcham".


 O cérebro interpreta este "encolhimento" como uma ameaça à integridade do organismo. E o que acontece? O organismo começa a queimar menos energia. O metabolismo fica mais lento. Ou seja, emagrece de faz de conta.

É que o corpo, com medo de perder gordura - você lembra que foi a gordura que garantiu nossa permanência como espécie - passa a trabalhar mais devagar. A gastar menos energia para fazer nossos órgãos funcionarem.


"O teu organismo começa a queimar menos calorias. Uma perda de dez quilos representa 200 calorias a menos que você queima. Para cada dez quilos que você perde o seu corpo começa a gastar menos 200 calorias por dia", exemplifica Halpern.


É uma conspiração do corpo para fazer o peso voltar ao que era antes da dieta. Esse é que é o efeito sanfona. Porque o cérebro tende a manter o maior peso que você já adquiriu. É preciso que ele passe muitos anos numa determinada faixa de peso pra ele se adaptar a esse novo peso.

"Eu uso um número cabalístico de tantos meses quantos os quilos perdidos. Se o indivíduo perdeu 20 quilos, ele vai ter que ter 20 meses de atenção bem rígida, bem forte, pra não ganhar esse peso de novo", comenta o endocrinologista.


È o que se chama de tempo de redução, e tempo igual de manutenção.



                                                    Heider Costa
                                            Consultor do Bem-Estar