sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A fome e a saciedade

A fome e a saciedade
Dr.Drauzio Varela
28/11/2004

 
 

   Você não agüenta mais viver infeliz com a própria imagem, mas adora comer e beber. Sobe na primeira balança que encontra, fica ainda mais infeliz e espera que aquela dieta milagrosa traga bem depressa o corpo dos seus sonhos. Saiba que você não está sozinha.


"Eu quero atingir a minha meta de 64 quilos. Acho que faz 16 anos que não peso 64 quilos", conta Edeli Zan, gerente de restaurante.


Engorda, emagrece, engorda mais um pouco, emagrece menos. Na semana passada a gente viu como o corpo conspira para nos fazer voltar ao peso mais alto que já atingimos. 


"Em última análise: perde e ganha peso, perde e ganha peso muda a sua composição corporal, diminui a sua musculatura e aumenta a sua gordura", explica o endocrinologista Alfredo Halpern.


  "Eu tenho aqui manequins 44 e 46. E um 42, né? Aí comprei uma calça 48. Não compro mais nada. Ou eu volto ou eu vou ficar com essa calça, gente, é essa calça jeans. Ou vou ficar com ela até o fim da vida", diz Edeli.


"Existe uma evidência clínica de que perder peso e reganhar, perder peso e reganhar faz mais mal pra saúde do que você estar já no peso acima", avisa Halpern.


"Isso não pode ser um desestímulo? Ah, eu vou perder peso pra ganhar outra vez, então é melhor ficar com o peso que eu tô e está acabado?", pergunta Drauzio.


"Não, eu acho o contrário. Eu posso te dizer que uma das grandes aquisições no combate à obesidade é o indivíduo hoje em dia ter certeza de que ele tem uma doença. É o médico transmitir para o indivíduo que ele tem que ter controle para o resto da vida".

   
   A idéia de que a obesidade é uma doença é um conceito recente. Durante muito tempo ela foi encarada simplesmente como um problema de quem come demais. 


"A Edeli é uma pessoa muito ansiosa com tudo. É difícil pra ela identificar qual é o problema", comenta o irmão de Edeli, Paulo Zan. 


"O maior problema na tua vida hoje pesa 12 quilos?", pergunta Drauzio.

"Hoje é", diz Edeli.

   "Às vezes você vê pessoas que são um pouco mais gordinhas só que não são tanto. E, no entanto, o problema da alimentação, do número de calorias, da quantidade de peso que você perdeu vira o assunto da vida, né?", comenta Drauzio.


   "Ele se relaciona com você o tempo todo como um obeso. Um obeso que o tempo todo vai sentar com você em um restaurante e não vai falar da vida, das situações afetivas, e não vai conseguir aprofundar outras coisas tão valorosas na pessoa dele. Ele vai falar o tempo todo das calorias, do que comeu ontem, do que não comeu ontem. 
   Quer dizer, ele apaga o resto da vida dele e se mostra o tempo todo como um obeso", completa o psiquiatra Táki Cordás. "Passo o dia inteiro preocupada com comida. O dia inteiro eu penso no meu corpo, na minha comida, no que eu vou comer", confessa Edeli.


  Antigamente, a gordura era considerada simples depósito para estocar energia. Hoje a ciência sabe que o tecido gorduroso é um órgão ativo que libera hormônios, ele é a maior glândula que temos. A quantidade de alimento que você ingere é controlada, em parte, pela quantidade de gordura existente em seu corpo. Quer dizer, quanto mais células gordurosas você tem, mais fome irá sentir.


   O controle do apetite e da saciedade - a sensação de que já comemos o suficiente - acontece no cérebro e independe da nossa vontade. O impulso da fome é tão forte quanto o da sede.

Na rotina diária, dois hormônios, a grelina e o PYY, controlam e administram o apetite e a saciedade. Eles atuam numa área do cérebro chamada "núcleo arqueado", através de dois circuitos de neurônios que exercem ações opostas. Um estimula o apetite. O outro, a saciedade.
Quando está vazio, o estômago libera o hormônio grelina. A função da grelina é estimular o centro da fome. A grelina nos alerta: está na hora de comer.

A medida em que enchemos o estômago, a produção de grelina cai e o apetite diminui.
Depois de passar pelo estômago, a comida vai para o intestino. Ali é liberado um outro hormônio, o PYY, que vai estimular o centro da saciedade. Um aviso para pararmos de comer.

O problema é que o centro da saciedade demora um pouco até ser ativado. Esse tempo varia de uma pessoa para outra. Mas para comer menos, é importante comer devagar, descansar os talheres, para dar tempo dos hormônios da saciedade chegarem até o cérebro.

"Eu fico assim morrendo de inveja das pessoas que comem devagar. Se eu tenho alguém conversando comigo até que eu como devagar, entendeu? Mas se eu estou sozinha, como na maioria das vezes, acabo comendo rápido", diz Edeli.

  O equilíbrio entre a grelina e o PYY indica quando devemos começar ou terminar uma refeição. Mas, dependendo do tipo de alimento, esses hormônios são liberados em quantidades diferentes.   Por exemplo, carboidratos simples, como a batata, arroz brando, farinha de trigo e os doces, são absorvidos antes dos intestinos produzirem o hormônio PYY, que inibe a fome. Por isso, quando comemos dois pratos de macarronada com pão, domingo, em família, poucas horas depois assaltamos a geladeira em busca daquele pedaço de pudim.


 Já a gordura de outros alimentos, como a carne vermelha, por exemplo, demora mais para ser digerida e o PYY pode fazer efeito, dando a sensação de que estamos satisfeitos. Mas este é o mecanismo diário de controle do apetite.
A longo prazo, o controle do peso depende de outros hormônios. Os mais importantes são a leptina e a insulina. 

  A insulina é produzida por um tipo especial de célula localizada no pâncreas e inibe o apetite. Enquanto o cérebro mantém sua sensibilidade à insulina, comemos menos e perdemos peso. Quando engordamos, a sensibilidade à insulina cai e o apetite aumenta.

O outro hormônio, a leptina, ativa o centro da saciedade - a área do cérebro que nos informa quando estamos satisfeitos. A leptina é produzida pelas células gordurosas para avisar ao cérebro a quantas anda o nosso estoque de gordura.
Quando emagrecemos, as células gordurosas diminuem de tamanho. Isso faz cair a produção de leptina. E, por causa da diminuição na produção de leptina, sentimos muito mais fome.
 
   A descoberta da leptina, em 1994, foi comemorada como uma solução perfeita para o problema da obesidade. Ratos gordos emagreceram rapidamente ao receberem injeções de leptina.
Mas nos humanos a resposta foi diferente. Os cientistas logo perceberam que a leptina não fazia o mesmo efeito. Quem era obeso continuava obeso, mesmo com grandes quantidades de leptina circulando pelo corpo.


  Se a leptina é produzida pelas células de gordura, quanto mais gordo, mais leptina. Como este hormônio inibe o apetite, os gordos, então, deveriam comer menos. Mas isso não acontece. É que neles existe uma espécie de "defeito molecular" que dificulta a ação da leptina. O que os cientistas tentam agora é descobrir como melhorar o funcionamento dos genes encarregados de reconhecer a leptina no cérebro.


  Seria ótimo se a medicina pudesse oferecer uma solução mágica para o tormento da Edeli e o de tantos iguais a ela. Infelizmente, isso não existe.
"Adoraria soluções mágicas, adoraria", sonha Edeli.


Porém, você que "ainda" não é gordo, cuidado, porque é mais fácil atirar pedras nos outros do que Olhar o que vai ser seu futuro e de sua família.
È mais fácil se prevenir, do que tentar entender estas coisas médicas, que normalmente levam asPessoas para os "pés juntos".


                                                                 Heider Costa
                                                       Consultor do Bem-Estar

OBESIDADE INFANTIL- Consequências:

    Circunferência da cintura aumentada na infância aumenta o risco de síndrome metabólica em fases posteriores da vida


  Estudo publicado no International Journal of Obesity, mostrou que crianças com circunferência da cintura aumentada (acia do percentil 75 para idade e sexo) possuem entre 5 e 6 vezes mais chances de desenvolverem a síndrome metabólica quando adultos.
    O estudo analisou os dados de 2.188 Australianos por 20 anos, desde 1985. No início da pesquisa os indivíduos tinham de 7 a 15 anos de idade. Outros estudos já  haviam feito este tipo de acompanhamento porém analisando a repercussão do índice de massa corporal aumentado em outros estágios da vida.  
     Este novo estudo analisou o que acontecia com os adultos se, quando crianças, a circunferência da cintura estava acima do esperado. Os autores do estudo chegaram a conclusão que a medida da circunferência da cintura é uma melhor forma de se avaliar o risco cardiovascular e de síndrome metabólica, por isto, orienta que nos consultórios esta medida passe a ser avaliada tanto em crianças quanto em adolescentes afim de que medidas preventivas ou corretivas possam ser adotadas o quanto antes.
Fonte: M D Schmidt, T Dwyer, C G Magnussen, A J Venn.Predictive associations between alternative measures of childhood adiposity and adult cardio-metabolic healthInternational Journal of Obesity, 2010.
                                               Heider Costa
                         

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Capacidade antioxidante dos alimentos


    Além das tradicionais vitaminas antioxidantes, frutas e verduras contém ainda compostos bioativos protetores contra câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. 
    Dependendo do composto ou combinação de compostos presentes o alimento terá uma atividade mais ou menos pronunciada. Por exemplo: a capacidade antioxidante do cravo é maior que da canela que é maior que a da pimenta que é maior que do gengibre e assim por diante:  Cravo > Canela > Pimenta > Gengibre > alho > Hortelã > Cebola. 
    O ideal é ter uma dieta bem variada com pequenas quantidades de vários alimentos benéficos. Abaixo opções de alimentos protetores e seus respectivos compostos bioativos:
- Alecrim (luteolina, esperidina, camosol, rosmariquinona);

- Alfafa (quercetina);
- Alfavaca (eugenol);
- Chá Verde;
- Castanha-do-Brasil (compostos fenólicos);
- Cevada (glicosilisovitexina, flavan-3-ol);
- Gengibre (gingerol, diarilheptanóides);
- Mostarda (ácido 3-5-dimetoxi-4-hidroxicinâmico metil éster, ácido caféico, ácido catequínico);
- Orégano (apigenina, eriodictol, diidrocapferol, diidroquercetina, ácido rosmarínico);
- Pimenta (quercetina, luteolina);
- Sálvia (ácido carnósico, rosmadial, rosmanol, carnosol, epirrosmanol). 


                                         Heider Costa
                                Consultor do Bem-Estar

Atividade física neutraliza gene da obesidade


  A obesidade é uma desordem de origem multifatorial com componentes genéticos e ambientais fortemente envolvidos. O gene FTO rs9939609 está associado ao ganho de peso, gordura corporal, maior IMC e circunferência da cintura.
  Cada cópia a mais do mesmo neste gene pode elevar o peso em até 1,5kg. Afim de averiguar o impacto da atividade física em indivíduos que possuíam o mesmo, foi realizada uma pesquisa com 752 adolescentes. Entre os mesmos 37% não possuíam o gene, 47% possuíam uma cópia do mesmo e 16% possuíam duas cópias.
   O interessante no estudo foi que os adolescentes que faziam pelo menos 1 hora de atividade física diária conseguiam manter o peso ou ganhavam quantidades muito pequenas, como se não tivessem nenhuma mutação genética, o que demonstra que o ambiente é fundamental para a saúde, mesmo quando a genética não favorece. Ou seja, nada de botar a culpa na herança genética. Está na hora de malhar!
   Fonte: Jonatan R. Ruiz; Idoia Labayen; Francisco B. Ortega; Vanessa Legry; Luis A. Moreno; Jean Dallongeville; David Martinez-Gomez; Szilvia Bokor; Yannis Manios; Donatella Ciarapica; Frederic Gottrand; Stefaan De Henauw; Denes Molnar; Michael Sjostrom; Aline Meirhaeghe; for the HELENA Study Group. Attenuation of the Effect of the FTO rs9939609 Polymorphism on Total and Central Body Fat by Physical Activity in Adolescents: The HELENA StudyArch Pediatr Adolesc Med, 2010; 164 (4): 328-333.
                                     
                                                    Heider Costa 
 

Deficiência de vitamina D aumenta o peso e prejudica o crescimento de adolescentes!!!

    O consumo insuficiente de vitamina D pode prejudicar o crescimento e aumentar o peso durante a adolescência. Estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, mostrou que mesmo aqueles habituais frequentadores de praias podem desenvolver déficit de vitamina D em decorrência do uso do protetor solar no corpo inteiro. Em adultos o déficit está associado a doenças como osteoporose, câncer, obesidade. Na velhice é habitual nos preocuparmos com estas doenças porém as mesmas não se desenvolvem de uma hora para outra. 

   Assim, aqueles 15 minutinhos de sol no início da manhã que os bebês tomam deveriam continuar por toda a vida afim de prevenir todos estes problemas. E, mesmo vivendo em regiões ensolaradas e em um país tropical uma avaliação de sinais e sintomas deve ser feita afim de se detectar prováveis deficiências desta e de outras vitaminas.
  

                                                            Heider Costa
                                                    Consultor do Bem-Estar